Empreendedores brasileiros tentam a sorte em Portugal

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Empreender em Portugal

A ex-executiva Elisabete Saman, 51, negocia parceria com governo português para inaugurar sua clínica para idosos

A ideia de morar fora do Brasil já vinha sendo amadurecida havia algum tempo pela psicóloga e empreendedora Elisabete Saman, 51 anos, até que um episódio relacionado à violência urbana no Rio de Janeiro foi a gota d’água para que ela e o marido Raphael decidissem colocar o plano em ação: em abril, o ônibus escolar em que estava a filha Sophia, de apenas seis anos, ficou preso no trânsito em meio a uma troca de tiros entre bandidos e policiais.

“A gente se deu conta que não havia mais razão para adiar algo que havia se tornado prioridade: morar em um lugar mais seguro e com perspectivas que infelizmente o Brasil não está proporcionando neste momento”, lembra Elisabete.

A escolha recaiu sobre Lisboa, por uma série de motivos, mas principalmente pela fase de crescimento econômico que a capital portuguesa tem experimentado nos últimos anos. Elisabete começou a prospectar o mercado local, com o plano inicial de implantar uma clínica de atendimento a idosos em moldes semelhantes ao empreendimento que ela havia criado no Rio no fim de 2016. O Espaço Vida Mais organizava oficinas de artesanato, dança, literatura e musicoterapia, entre outras atividades, para promover a saúde e a qualidade de vida na chamada “melhor idade“.

Foi o caminho profissional que Elisabete encontrou depois de atuar sete anos como head de planejamento do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro – função que exerceu à frente de uma equipe de 15 pessoas, desde o anúncio do Rio como cidade-sede, em 2009, até três meses depois dos Jogos Paraolímpicos, em 2016.

Considerando a vocação que Lisboa tem desenvolvido para a área de inovação, Elisabete passou a amadurecer a ideia de criar um modelo de negócio que enfatizasse a tecnologia – talvez como uma atividade central para os frequentadores do estabelecimento, ampliando o papel coadjuvante que o curso de informática ocupava originalmente. Para isso, está negociando uma parceria com o governo português.

O marido, Raphael Nercessian, desenvolvedor de sistemas e serviços web, percebeu a demanda decorrente da crescente ligação da capital portuguesa com a área: com ampla experiência prática, ele participou de sete entrevistas de emprego no primeiro mês e meio após a chegada definitiva da família.

Entre várias possibilidades que se abriram, acabou sendo contratado por uma empresa francesa, idioma que domina. Teve até a oportunidade de negociar um prazo de dois meses até começar efetivamente no novo emprego.

“Como viemos com uma certa reserva financeira, estamos fazendo as coisas com calma e dando prioridade à adaptação da Sophia”, conta Elisabete, que já tem um endereço comercial reservado na vila de Algés, vizinha a Lisboa.

Caminho semelhante foi percorrido pelo consultor Daniel Aisenberg, 45 anos, que acaba de completar um ano em Lisboa e há seis meses trabalha para a Accenture portuguesa. A mudança para Portugal também foi uma decisão familiar, envolvendo a mulher, a jornalista Michelle, e o casal de filhos adolescentes. Depois de perder o emprego por conta de um enxugamento na empresa em que trabalhava em São Paulo, em 2015, Daniel passou a atuar como freelancer na área digital e de educação corporativa.

O problema era que, com muita gente boa disponível no mercado, a disputa pelos projetos havia aumentado e as condições de remuneração e prazo estavam se deteriorando no Brasil“, recorda. Como Michelle também vinha atuando como freelancer, eles se deram conta de que a maior parte dos trabalhos que faziam poderia ser executada de qualquer lugar. “Era o momento certo para levar adiante o projeto de morar fora, algo que sempre desejamos, mas que fomos adiando pelas mais diversas circunstâncias“, lembra Daniel.

A primeira opção era o Canadá, mas, diante da maior complexidade do processo de imigração, Portugal surgiu como alternativa- até porque Michelle, com pai português, já dispunha do passaporte europeu.

“A princípio eu tinha resistência por conta da imagem de que Lisboa era um lugar velho e atrasado, que eu ainda trazia na memória de uma passagem por aqui 20 anos atrás. Mas tudo mudou com uma nova visita à cidade. Encontramos um lugar efervescente, com muita cordialidade por parte dos portugueses e um nível de segurança alto, mesmo para os padrões europeus”, conta Daniel.

Empreendedores brasileiros tentam a sorte em Portugal

Daniel Aisenberg, 45, mudou-se com a família em busca de mais segurança e oportunidade de emprego na área de tecnologia

Havia ainda vantagens adicionais como a facilidade com o idioma, a perspectiva de viajar com os filhos pela Europa e um ganho financeiro considerável: graças a sistemas públicos eficientes de saúde e de educação, a família passou a economizar por mês o que gastava com quatro planos de saúde e duas mensalidades de escola que deixaram de ser pagas. Assim, mesmo com o aluguel caro e o aumento do custo de vida percebido em Lisboa no último ano, a equação do orçamento doméstico ficou bem mais fácil de ser fechada em relação ao que vinha ocorrendo no Brasil.

Na fase de transição, tanto Daniel quanto Michelle continuaram buscando trabalhos com os parceiros no Brasil, enquanto prospectavam novas possibilidades em Portugal. Daniel começou a frequentar eventos – palestras e encontros na área de inovação, design e tecnologia – e a marcar cafés com as pessoas que ia conhecendo. “Eram conversas para as quais eu ia sem nenhuma expectativa além de me apresentar e conhecer melhor o mercado local“, lembra.

Ao final de um desses encontros, com o executivo responsável pela área digital na Accenture portuguesa, ele foi surpreendido por um convite de emprego para ser consultor sênior de marketing digital.

“Nos meus últimos anos no Brasil eu havia feito um bom curso de design thinking e começado a trabalhar mais efetivamente com consultoria digital, caminhando para design de experiência. Acredito que essa passagem tenha sido fundamental para a proposta”, avalia.

Daniel e Elisabete simbolizam a nova onda de brasileiros que estão chegando a Portugal – ao contrário de jovens que, em décadas passadas, se empregaram em restaurantes e cafés em busca do sonho de fazer um pé-de-meia, agora são pessoas mais maduras, com uma trajetória profissional relevante, que procuram, acima de tudo, qualidade de vida para a família.

“Nas áreas de inovação, criatividade, tecnologia, comunicação e marketing, os brasileiros são muito respeitados, pois vêm de um mercado maior e se mostraram capazes de sair da zona de conforto para recomeçar em um lugar diferente. Esse perfil empreendedor é muito bem-vindo no atual momento de Lisboa”, diz o CEO do Rock in Rio, Luís Justo.

Ele montou uma equipe composta por profissionais dos dois países para organizar a oitava edição na capital portuguesa do estival de rock, realizada no final de junho – a primeira vez foi em 2004 e desde então o evento acontece a cada dois anos. “Portugueses e brasileiros têm demonstrado muita sinergia e produtividade quando trabalham juntos“, elogia Justo.

Desta vez, a maior novidade do Rock in Rio Lisboa – que teve apresentações de estrelas como Bruno Mars, Katy Perry e The Killers, além das brasileiras Ivete Sangalo e Anitta – foi um evento paralelo na área de inovação, a Rock in Rio Innovation Week, com quatro dias de palestras e debates que aproximaram ainda mais profissionais e empreendedores dos dois países.

Um dos convidados foi o diretor de economia e inovação da Câmara Municipal de Lisboa, Paulo de Carvalho, que explicou como a cidade vem se consolidando como referência em inovação e empreendedorismo. O processo foi iniciado em 2011, quando, em meio a uma crise econômica, a capital portuguesa sentiu a necessidade emergencial de se reinventar.

“Lisboa avaliou suas vocações e definiu uma visão estratégica em que se tornaria um dos centros mais criativos e empreendedores da Europa. Nos primeiros tempos, quando essa visão era apresentada em outros países, foi muitas vezes recebida com sorrisos cínicos, mas uma série de iniciativas públicas de incentivo acabou contagiando a iniciativa privada”, diz Carvalho.

Sete anos depois, a cidade saltou de seis incubadoras, que funcionavam isoladamente umas das outras, para uma rede orgânica de 18 incubadoras, além de 14 programas de aceleração e novos espaços de coworking que surgem o tempo todo nas mais diversas localizações – um deles é o Lacs, que sediou a Rock in Rio Innovation Week e fica na região portuária, até então menosprezada para novos empreendimentos.

No extremo oposto da cidade, o Parque das Nações, uma zona nova de expansão, recebeu empresas de tecnologia como a Microsoft e a Netflix. Nesse meio tempo, Google, Uber e Airbnb também chegaram à cidade ou expandiram consideravelmente suas instalações. Companhias tradicionais como Mercedes e Volkswagen também investiram em Lisboa – em vez de fábricas de carros, contudo, implantaram centros digitais e de marketing. Grupos brasileiros, como Globo e O Boticário, também participam desse movimento.

O brasileiro Felipe Matos, que há 20 anos trabalha com empreendedorismo digital e fundou em 2002 o Instituto Inovação, primeira aceleradora de startups do Brasil, elogia a agilidade que Lisboa vem demonstrando para se adaptar à nova realidade do mercado. Ele lembra que empresas de tecnologia como Apple, Amazon, Google, Microsoft e Facebook estão hoje entre as mais valiosas do mundo, superando nomes consagrados da economia tradicional.

“Lisboa se alinhou rapidamente ao futuro, com um ecossistema de inovação que vem crescendo muito e certamente já se consolidou como uma boa aposta para profissionais brasileiros”, diz.

Fonte: Valor Econômico ( leia o artigo completo )

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