Portugal no fundo da tabela europeia dos gastos com férias

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gastos com férias

Gastos dos portugueses nas férias voltaram aos níveis pré-crise, mas continuam muito abaixo da média europeia. Dados do Eurostat revelam que só a Letónia e a Roménia gastam ainda menos do que Portugal

Agosto é mês de romaria para o Algarve e, neste ano, o tráfego na A2 deve voltar a bater recordes. A Associação de Turismo da região espera registar quatro milhões de dormidas de visitantes nacionais só neste mês: os portugueses têm mais dinheiro no bolso, e estão a gastá-lo também nas férias. Mas o caminho para igualar a Europa ainda é longo.

Os últimos dados do Eurostat revelam que, em 2015, cada português gastou em média 156,27 euros em estadas de pelo menos uma noite. É preciso recuar até ao final da última década, antes dos anos da troika, para encontrar um valor semelhante. Em 2012, um ano depois do pedido de ajuda externa, os gastos dos portugueses com férias não ultrapassaram os 111,78 euros por dia. No ano seguinte o valor foi ainda menor, com a média dos gastos a ficar pelos 106 euros. Em 2014, quando os credores abandonaram o país, a despesa com férias subiu então para 140,83 euros. Em quatro anos, o montante aumentou cerca de 40%.

Quando a duração da estada aumenta para quatro ou mais noites, o valor médio gasto pelos portugueses cresce para 350 euros, uma subida também de 40% face aos 250 euros estimados pelo Eurostat para o ano 2012. Apesar dos bons indicadores, o salto nos gastos impressiona pouco quando comparado com o resto da União Europeia: a estatística mostra que entre os 28 Estados membros, os gastos com férias rondam os 320 euros em estadas mínimas de uma noite e os 556 euros quando as visitas ultrapassam as quatro noites.

O primeiro lugar da tabela pertence ao Luxemburgo: o grão-ducado tem gastos na ordem dos 740 euros por dia, quase cinco vezes mais do que Portugal. Segue-se a Áustria, com 610 euros, Malta, onde as despesas rondam os 593 euros, e a Bélgica, com cada turista a gastar 564 euros em 2015.

Portugal continua a competir na liga dos últimos, tendo abaixo na tabela apenas a Letónia e a Roménia, onde os gastos não vão além dos 116 euros, e a Hungria, onde a despesa média diária ronda os 129 euros. Ainda com gastos inferiores a 200 euros por dia, mas acima de Portugal na tabela, surge a Bulgária, com um valor diário a rondar os 160 euros. Em Espanha, o aumento foi de 26% em quatro anos, para uma média de 222 euros em 2015.

Os mesmos dados do Eurostat revelam que entre 2012 e 2015 os gastos dos portugueses com o alojamento para férias subiram 19,4%, passando de 29,6 euros para 35,36 euros por noite. As despesas com transportes mantiveram-se estáveis nos 36 euros, enquanto os gastos em restaurantes e cafés registam a maior subida. Se em 2012 os portugueses não gastaram mais de 25 euros por dia em restauração, em 2015 esse valor quase duplicou, para os 48,46 euros.

Para Desidério Silva, presidente do Turismo do Algarve, “o aumento da disponibilidade para gastar entre os portugueses é óbvio e fez–se sentir sobretudo nos últimos dois anos nos hotéis e na restauração”, afirma ao DN/Dinheiro Vivo. E a média dos gastos na região será, segundo o responsável, superior ao valor estimado pelo Eurostat para o conjunto do país. Já Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, identifica outra tendência no mercado nacional que tem ganho força nos últimos anos: “Há mais portugueses no Algarve, mas nota-se que estão a optar por outro tipo de alojamentos que não os hotéis, por serem mais acessíveis.”

É no aumento de turistas alemães nos últimos meses, destacado pelas associações, que Portugal pode sair a ganhar, já que estes gastam em média 428 euros por dia.

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