Terror no SEF: “Algumas pessoas saíam de cadeira de rodas”

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Foto Miguel Pereira da Silva/Lusa

Uma testemunha detida no Centro de Instalação Temporária do Aeroporto de Lisboa no dia do assassinato de Ihor Homeniuk contou ao Diário de Notícias o quotidiano de violência praticado pelos agentes do SEF.

Uma cidadã brasileira de 44 anos esteve detida 17 dias entre fevereiro e março no Centro de Instalação Temporária do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras no Aeroporto de Lisboa. Ao Diário de Notícias (link is external) deste sábado, conta o que assistiu durante a sua passagem. “Sabe, eu vi muita coisa ali. Mas tive tanto medo que quando saí de lá não pensei ir à polícia e denunciar. E ainda tenho medo, senão não tinha pedido para falar anónima. Fiquei com trauma. Porque aquilo é a barbaridade. Lá gente que é normal, você, se ficar lá presa a quantidade de dias que eu estive, Deus a abençoe se sair igual.”

Ihor veio para Portugal trabalhar na agricultura, mas nunca saiu do aeroporto. Foi assassinado por três inspetores no Centro de Detenção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

A testemunha relata como os agentes negam aos passageiros detidos direitos elementares e os obrigam a assinar o papel de deportação, onde assumem que entraram no país com o objetivo de trabalhar. A quem reclamava com maior veemência, como era o caso de Ihor, que não falava português nem inglês, o castigo era o espancamento. Mas ”não foi só o ucraniano que apanhou ali. Muita gente teve problemas. Vi surras que muitos apanharam. Levam para aquela salinha que nós chamávamos dos remédios e batem”, relata a testemunha.

“Várias pessoas foram postas naquela sala e saíam roxas e rebentadas, a coxear. Algumas saíam de cadeira de rodas. Vi vários factos acontecer do estilo do ucraniano. Quando vinham os inspetores e levavam para a salinha já sabíamos que era para a surra. Também fazem no banheiro, porque não tem câmaras”, conta a cidadã brasileira ao Diário de Notícias, reconhecendo que a atitude dos seguranças da Prestibel face aos detidos era diferente e nunca testemunhou violência por parte destes.

Apesar de se dizer disponível para testemunhar, esta cidadã nunca foi contactada pela Polícia Judiciária. Segundo o DN, a PJ requereu ao SEF a lista de pessoas detidas nos dias da passagem de Ihor pelo CIT do Aeroporto, mas esta nunca lhe foi entregue.

Para além dos três agentes do SEF acusados do homicídio de Ihor e atualmente em prisão domiciliária – Bruno Sousa, Duarte Laja e Luís Silva -, a Inspeção Geral da Administração Interna abriu um inquérito a outras nove pessoas, incluindo os então diretor e subdiretor do SEF de Lisboa, o coordenador do CIT do Aeroporto de Lisboa, o enfermeiro que assistiu a vítima e vários seguranças em serviço na data do crime. Foi também aberto um inquérito à falsificação de documentos que procurou encobrir o crime, dado que a verdadeira causa de morte de Ihor só foi descoberta quando se realizou a autópsia.

 

Fonte: Esquerda.net

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